Informar é cultura
Apresentação e explicitação da vida Portuguesa como sinónimo da nossa nacionalidade passando pelos mais variados temas, sem contudo esquecer, o debate de temas proibidos que pecam e se perdem na ignorância dos povos e a sua abordagem por parte dos sectores políticos vigentes. "Ubi veritas?"
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Comemorações do 5 de Outubro e o hastear da bandeira ao contrário.
O facto de a bandeira ter sido hasteada ao contrário revela aquilo que Portugal tem vivido desde o pós 25 de Abril de1974. Desrespeito, saque, privilégios aos compadres de enriquecerem utilizando dinheiros e subsídios que deviam ser públicos, ignorância, aproveitamento da posição que ocupam.
Além de ser observado um pouco nas nossas vivências enquanto cidadãos e como trabalhadores, este episódio que denigre a nossa imagem como país, é perfeitamente verificável pelas as atitudes de "desenrasca" que habitualmente acontecem. Uma coisa é certa, a responsabilidade de um cidadão comum pelos seus actos podem ser menor, igual ou de maior relevância ou importância, mas a de um político que é a primeira imagem do país, seguramente nunca deveria de existir.
Somente os portugueses podem pôr cobro a este saque. Exijam responsabilização e/ou criminalização às pessoas que exercem (ou exerceram) uma actividade política e continuem a promover a sua cidadania em manisfestações, greves ou no exercício do direito que estão consagrados na Constituição.
Fiquei indignado em observar estas comemorações.
Temos um governo ditaturial e opressivo, e agora reforçámos a convicção de termos um presidente decrépito. Mete dó e causa-me repulsa.
Vejam que o presidente quando ia hastear a bandeira nem sabia qual o fio que ia puxar.
Deixo uma dica. Quando os excelentíssimos senhores da nação observarem uma incorreção, tenham uma postura digna e integra de corrigir no momento o erro e não perpectuá-lo. Sei que será difícil para vocês, porque não faz parte da vossa formação e interesse quando optam por uma vida pública e política ao serviço do povo.
Deixo este video que reflecte um pouco do triste fado em que vivemos. Acordem portugueses.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Manifestação da CGTP no Terreiro do Paço em 29 de Setembro de 2012.
Nem sei como vou pronunciar-me sem ser erradamente entendido. Mas vou tentar.
No dia 29 de Setembro de 2012 estive na manifestação organizada pela CGTP no Terreiro do Paço que se pretendia como "Terreiro do Povo". A manifestação apesar de ser organizada por uma confederação de sindicatos era aberta a todo o povo português e movimentos cívicos que se identificavam com os propósitos da mesma. As estimativas apontaram para uma adesão acima das 100000 mil pessoas.
No Terreiro do Paço dei em directo (por volta das 17:45 horas) uma entrevista à "RTP Informação" quando confrontado com a pergunta sobre a razão de ter-me associado a esta manifestação.
A resposta foi relacionada com um pouco da angústia que me assiste e já demonstrada em algumas mensagens neste blogue, quando se apela aos portugueses para a defesa dos seus direitos, ideais ou nacionalidade.
Meus caros, o meu pessimismo em relação ao futuro não passa pela organização de manifestações seja por quem for, passa sim pela a adesão das pessoas naquilo que se revèm. Porque, enquanto já houve maiores adesões das pessoas nas manifestações em que se apelava ao sentido cívico (o que por si já é um bom sinal de maturidade e revolta), já nas marcadas por organizações sindicais, essas adesões se tèm mostrado inferiores.
No fundo todas as alterações ao estado social e do direito ao trabalho com direitos, leva a que haja dispersão individualista de atitude que deveria ser colectiva quando se trata de defender um bem que é comum a todos os portugueses. O governo actual sabe que pode adequar as alterações pretendidas desde que fragmente as suas intervenções por sectores de produção do país e fazendo os seus testes até tomar posições que diga respeito a todos (sendo este cenário a ùltima opção) quando as anteriores tentativas sectoriais falhem e porque não pretendem um conflito social visível a nivel mundial. Este tipo de atitude leva a que os portugueses não hajam em unidade, porque, enquanto "toca aos outros e não a mim, eu tenho trabalho e vou-me safando". Este pensamento/comportamento e quase inerente ao ser-se português, é a nossa morte.
Pelo atrás descrito, vou dar um exemplo da inércia dos portugueses e do quanto estão sensibilizados para a própria defesa do direito de cidadania.
No ano passado estive (na condição de utente e português, apesar de ser trabalhador no sector) numa manifestação organizada por uma plataforma de utentes que deveria ter sido mesmo uma manifestação, sobre a redução da oferta e aumentos dos tarifários dos transportes públicos. A concentração foi no Cais do Sodré e pasmem-se porque só estavam cerca de 30 pessoas. Nessa altura ainda não havia intenção real do governo sobre as medidas de austeridade que posteriormente foram aplicadas em Orçamento do Estado para 2012. Ou seja, perante uma intenção do governo em desprovir um direito constitucional de transporte público aos portugueses, somente alguns utentes contestatários e os trabalhadores das empresas do Sector que realizaram greves, tentaram parar tais afrontas. Onde é que estavam a generalidade das pessoas?
Com este exemplo pretendo demonstrar que os portugueses não têm sentido de luta unitária de cidadania e somente lutam por ocasião e quando essa ocasião lhes diz directamente respeito. Sobre esta questão, faço-lhes uma pergunta que é a mesma que fiz na entrevista à RTP.
- Se sistemáticamente temos um governo que prevarica a nossa Constituição, a quem compete defender essa mesma Constituição? Logicamente os portugueses.
Se aplicar-mos este conceito de atitude ao que está descrito na Constituição sobre as organizações sindicais e/ou comissões de trabalhadores das empresas, estamos a defender o nosso próprio direito ao trabalho assim como a nossa condição de utentes, mesmo quando aparentemente isso não está directamente relacionado connosco a título individual ou sectorial.
Os exemplos são inúmeros, desde o caso do Cavaco Silva (Presidente da República) sobre a venda das acções do BPN em que ganhou à nossa conta cerca de 370000 mil euros engordando a factura que estamos a pagar, as Parcerias Público Privadas (as vulgo PPP's), as privatizações das empresas do Sector Empresarial do Estado e/ou Públicas, e o caso do ministro Miguel Relvas sobre o seu percurso académico.
Aqui revela-se a dita inércia dos portugueses e o seu exercício de cidadania.
Desde quando temos que ter um governo que vende bens públicos sem ouvir os seus detentores do direito?
Desde quando temos um governo que favorece o interesse privado sem ouvir os seus detentores do direito?
Desde quando temos que ter um presidente que enriqueceu com uma valorização na venda das suas acções em 140% e que elas nem estavam cotadas em Bolsa?
Desde quando temos que ter um ministro que foi favorecido na atribuição nas habilitações académicas e não se demite, pactuando este governo com tal infâmia?
Percebem agora quando digo que estamos a cavar a nossa própria sepultura?
Percebem agora porque é que temos que evoluir em observar o direito de cidadania e reforçar uma opinião pública forte?
Em sociedade consciente destes direitos, eles deveriam ser a defesa da nossa cidadania e da preservação do estado social que possuimos, sem estarem suijeitos à vontade de quem governa impune e de modo arrogante, sabendo que não vão ser penalizados por isso. Antes de estarmos a atenuar efeitos com manifestações ou greves sectoriais deveriamos atacar prioritariamente a causa, e a causa é a atitude dos políticos corruptos e submissos a uma nova vontade que despreza o social e as pessoas.
Então qual seria a fórmula de contestação dos portugueses?
É simples no sentido da essência da palavra CRIMINALIZAÇÃO.
Exija-se a criminalização das pessoas que têm ou tiveram comportamentos que lesaram a vontade e os direitos dos portugueses e que nos levaram ao estado que actualmente nos encontramos, a exemplo do que aconteceu na Islândia.
Exija-se que a àrea judicial do país funcione.
É aqui que eu gostaria de ver até que ponto os portugueses estão dispostos a defender a sua identidade e os seus direitos. Nunca vi uma paralização geral do país a pedir o julgamento dessas pessoas sobre os actos praticados e pedir eleições antecipadas.
No caso de a matéria judicial tenha a haver com o enriquecimento ilícito, conluio ou favorecimento, além de serem exemplarmente condenados, toda a riqueza ou património que possuam e derivado do acto, seja arrestado a favor do estado.
Parece utopia não parece? Mas não o é, depende somente da vontade de um povo.
No dia 29 de Setembro de 2012 estive na manifestação organizada pela CGTP no Terreiro do Paço que se pretendia como "Terreiro do Povo". A manifestação apesar de ser organizada por uma confederação de sindicatos era aberta a todo o povo português e movimentos cívicos que se identificavam com os propósitos da mesma. As estimativas apontaram para uma adesão acima das 100000 mil pessoas.
No Terreiro do Paço dei em directo (por volta das 17:45 horas) uma entrevista à "RTP Informação" quando confrontado com a pergunta sobre a razão de ter-me associado a esta manifestação.
A resposta foi relacionada com um pouco da angústia que me assiste e já demonstrada em algumas mensagens neste blogue, quando se apela aos portugueses para a defesa dos seus direitos, ideais ou nacionalidade.
Meus caros, o meu pessimismo em relação ao futuro não passa pela organização de manifestações seja por quem for, passa sim pela a adesão das pessoas naquilo que se revèm. Porque, enquanto já houve maiores adesões das pessoas nas manifestações em que se apelava ao sentido cívico (o que por si já é um bom sinal de maturidade e revolta), já nas marcadas por organizações sindicais, essas adesões se tèm mostrado inferiores.
No fundo todas as alterações ao estado social e do direito ao trabalho com direitos, leva a que haja dispersão individualista de atitude que deveria ser colectiva quando se trata de defender um bem que é comum a todos os portugueses. O governo actual sabe que pode adequar as alterações pretendidas desde que fragmente as suas intervenções por sectores de produção do país e fazendo os seus testes até tomar posições que diga respeito a todos (sendo este cenário a ùltima opção) quando as anteriores tentativas sectoriais falhem e porque não pretendem um conflito social visível a nivel mundial. Este tipo de atitude leva a que os portugueses não hajam em unidade, porque, enquanto "toca aos outros e não a mim, eu tenho trabalho e vou-me safando". Este pensamento/comportamento e quase inerente ao ser-se português, é a nossa morte.
Pelo atrás descrito, vou dar um exemplo da inércia dos portugueses e do quanto estão sensibilizados para a própria defesa do direito de cidadania.
No ano passado estive (na condição de utente e português, apesar de ser trabalhador no sector) numa manifestação organizada por uma plataforma de utentes que deveria ter sido mesmo uma manifestação, sobre a redução da oferta e aumentos dos tarifários dos transportes públicos. A concentração foi no Cais do Sodré e pasmem-se porque só estavam cerca de 30 pessoas. Nessa altura ainda não havia intenção real do governo sobre as medidas de austeridade que posteriormente foram aplicadas em Orçamento do Estado para 2012. Ou seja, perante uma intenção do governo em desprovir um direito constitucional de transporte público aos portugueses, somente alguns utentes contestatários e os trabalhadores das empresas do Sector que realizaram greves, tentaram parar tais afrontas. Onde é que estavam a generalidade das pessoas?
Com este exemplo pretendo demonstrar que os portugueses não têm sentido de luta unitária de cidadania e somente lutam por ocasião e quando essa ocasião lhes diz directamente respeito. Sobre esta questão, faço-lhes uma pergunta que é a mesma que fiz na entrevista à RTP.
- Se sistemáticamente temos um governo que prevarica a nossa Constituição, a quem compete defender essa mesma Constituição? Logicamente os portugueses.
Se aplicar-mos este conceito de atitude ao que está descrito na Constituição sobre as organizações sindicais e/ou comissões de trabalhadores das empresas, estamos a defender o nosso próprio direito ao trabalho assim como a nossa condição de utentes, mesmo quando aparentemente isso não está directamente relacionado connosco a título individual ou sectorial.
Os exemplos são inúmeros, desde o caso do Cavaco Silva (Presidente da República) sobre a venda das acções do BPN em que ganhou à nossa conta cerca de 370000 mil euros engordando a factura que estamos a pagar, as Parcerias Público Privadas (as vulgo PPP's), as privatizações das empresas do Sector Empresarial do Estado e/ou Públicas, e o caso do ministro Miguel Relvas sobre o seu percurso académico.
Aqui revela-se a dita inércia dos portugueses e o seu exercício de cidadania.
Desde quando temos que ter um governo que vende bens públicos sem ouvir os seus detentores do direito?
Desde quando temos um governo que favorece o interesse privado sem ouvir os seus detentores do direito?
Desde quando temos que ter um presidente que enriqueceu com uma valorização na venda das suas acções em 140% e que elas nem estavam cotadas em Bolsa?
Desde quando temos que ter um ministro que foi favorecido na atribuição nas habilitações académicas e não se demite, pactuando este governo com tal infâmia?
Percebem agora quando digo que estamos a cavar a nossa própria sepultura?
Percebem agora porque é que temos que evoluir em observar o direito de cidadania e reforçar uma opinião pública forte?
Em sociedade consciente destes direitos, eles deveriam ser a defesa da nossa cidadania e da preservação do estado social que possuimos, sem estarem suijeitos à vontade de quem governa impune e de modo arrogante, sabendo que não vão ser penalizados por isso. Antes de estarmos a atenuar efeitos com manifestações ou greves sectoriais deveriamos atacar prioritariamente a causa, e a causa é a atitude dos políticos corruptos e submissos a uma nova vontade que despreza o social e as pessoas.
Então qual seria a fórmula de contestação dos portugueses?
É simples no sentido da essência da palavra CRIMINALIZAÇÃO.
Exija-se a criminalização das pessoas que têm ou tiveram comportamentos que lesaram a vontade e os direitos dos portugueses e que nos levaram ao estado que actualmente nos encontramos, a exemplo do que aconteceu na Islândia.
Exija-se que a àrea judicial do país funcione.
É aqui que eu gostaria de ver até que ponto os portugueses estão dispostos a defender a sua identidade e os seus direitos. Nunca vi uma paralização geral do país a pedir o julgamento dessas pessoas sobre os actos praticados e pedir eleições antecipadas.
No caso de a matéria judicial tenha a haver com o enriquecimento ilícito, conluio ou favorecimento, além de serem exemplarmente condenados, toda a riqueza ou património que possuam e derivado do acto, seja arrestado a favor do estado.
Parece utopia não parece? Mas não o é, depende somente da vontade de um povo.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Baden-Württemberg.
Veio-me à memória os tempos de passeio e trabalho quando nos meados dos anos 80 estive na Alemanha no estado de Baden-Wurttemberg . O saudosismo era tanto, que na oportunidade de fazer uma viagem em 2007 tinha que obrigatoriamente passar por esse Estado alemão onde tantas e boas recordações me tinham ficado. Não vou fazer uma apresentação de definição desse estado, para isso fica esta mensagem, que poderá servir como possível motor de pesquisa para quem visionar os videos que irei colocar e esta mensagem de reconhecimento de uma das zonas mais belas que vi. Se porventura realizarem alguma viagem nessa zona da Alemanha, espero ter contribuído para que possam visitar e sentirem o mesmo que senti. Esses sentimentos não se explicam, têm mesmo que senti-los por vós mesmos.
Relembro a Schwarzwald (floresta negra), o Rio Neckar, Landau in der pfalz e Mosbach (os dois locais onde trabalhei), a maravilhosa cidade universitária de Heidelberg e mais a sul do estado a cidade de Freiburg. A norte do estado, em Ludwigsburg, situa-se um dos palácios mais exuberantes que alguma vez vi.
Ficam os videos para igualmente aguçar-vos o apetite.
HEIDELBERG
LUDWIGSBURG
FREIBURG
MOSBACH E LANDAU IN DER PFALZ
SCHWARZWALD (o primeiro video refere a zona mais natural da floresta negra, embora possua paisagem humanizada bastante atraente e presente no segundo video)
Relembro a Schwarzwald (floresta negra), o Rio Neckar, Landau in der pfalz e Mosbach (os dois locais onde trabalhei), a maravilhosa cidade universitária de Heidelberg e mais a sul do estado a cidade de Freiburg. A norte do estado, em Ludwigsburg, situa-se um dos palácios mais exuberantes que alguma vez vi.
Ficam os videos para igualmente aguçar-vos o apetite.
HEIDELBERG
LUDWIGSBURG
FREIBURG
MOSBACH E LANDAU IN DER PFALZ
SCHWARZWALD (o primeiro video refere a zona mais natural da floresta negra, embora possua paisagem humanizada bastante atraente e presente no segundo video)
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Companhia Carris de Ferro de Lisboa - Carris de Lisboa. Quando a morte está anunciada.
O que fazer quando a morte está próxima ou os momentos que a antecedem nos causa uma agonia de sermos nós, sermos gente.
Todos nós morremos das mais variadas formas.
Todos nós morremos das mais variadas formas.
Este texto não tem nenhuma conotação com algo literário, ou presunção de ser uma ideologia que carece ser observada.
Este texto traduz-se na mágoa de pertencer ao povo que prefere a inércia, que prefere abdicar da sua existência, na persistente procura de alguns da felicidade que tarda a acontecer, enfim, a profunda contradição da construção das sociedades justas e a total indiferênça quando somos confrontados com a tomada como regra da usurpação da nossa identidade.
Tive o privilégio de ler parte do livro - estudo "A França" de Alves Redol e que será inserido partes do mesmo neste texto. A sua inclusão, embora não pareça ter conotação com a problemática dos transportes públicos, ou com as alterações nefastas ao modo social construído em Portugal por parte deste governo fantoche sob as ordens de organismos internacionais e por todas as pessoas que o idoletram, é mais um contributo para que todos nós (apesar de não termos vivido os horrores da segunda guerra mundial) possamos tomar em consciência de que a unidade de um povo sob o pretexto de salvaguarda de uma identidade pode fazer a diferênça que todos no fundo ambicionamos.
A relação do conteúdo atrás descrito com as vivências dentro da empresa (CCFL-Carris de lisboa) e com as outras relacionadas com a nossa posição enquanto cidadãos portugueses, leva-me a exercer um direito de opinião que seguramente vai de encontro às aspirações de muitos portugueses que são coniventes, ou aos que são contra um novo sistema social repleto de eliminação de direitos que durante muitas décadas outros conseguiram defender ou criar.
A mensagem anteriormente publicada neste blogue, refere já esta angustia e sensação de impotência em lutar quando nos é sugerido que as mudanças a efectuar em âmbito social ou de trabalho são inevitáveis e irreversíveis.
É um erro crasso pensar-se que o é, quando a tentativa de globalizar o planeta em pressupostos económicos e financeiros lesam definitivamente tudo o que se lutou e se ambicionou por sociedades justas elevadas ao sentimentos das pessoas como identidade a preservar.
O momento é de uma guerra de utopias e ideologias, da qual somente existem dois caminhos. Ou vamos continuar a ser pessoas no seu conteúdo e valorizadas nos direitos do homem ou a grande parte dessas pessoas vão ser eternamente escravos das variações e vontades de quem detém um mercado ou sector produtivo e que tenta valorizar a globalização.
Os exemplos quer na CCFL ou outras empresas, quer no quotidiano da generalidade das pessoas enquanto cidadãos são inúmeros. A mais recente agressão que diz respeito a todos nós tem a haver com a posição do Governo português com a cumplicidade de alguns dos parceiros sociais e com o aval e orientação do FMI,BCE e Comunidade Europeia sobre o novo Código de Trabalho.
Não foi para este momento que acontece actualmente nas nossas vidas que os nossos antepassados e homens que ainda estão no activo na àrea do trabalho lutaram e lutam.
Ao esvaziarem o conteúdo do que constou no anterior Código de Trabalho e aproveitando a inércia propositadamente criada para não haver revindicação colectiva, leva-nos a uma morte anunciada e não sendo mais rápida enquanto existirem pessoas que lutam por si e no fundo por todos.
As partes do livro de Alves Redol já mencionado e que vou introduzir neste texto, tem o intuito de criar em nós o sentido da unificação dos esforços de todos para que consigamos ser felizes em todos os parâmetros da vida.
Embora o sentimento esteja relacionado com uma guerra mundial, pode ser perfeitamente adoptado como linha de pensamento daqueles que contestam o actual sistema social e não querem ser escravos. Contudo temos que estar cientes que se isoladamente lutarmos (quer nas empresas, quer enquanto cidadãos) será extremamente difícil conseguir os objectivos.
Quer sejamos do sector público, quer sejamos do sector privado e independentemente do sector ou área de produção a que possamos pertencer, nunca podemos esquecer que somos portugueses e que dos esforços de todos podemos contrariar a escalada ao abismo que nos está a ser direccionada.
Lembrem-se que nós morremos porque temos várias mortes, quer sejam físicas, psicológicas, de valores, de identidade, enfim a que pretenderem ou a que vos for direccionada.
A transcrição da parte do livro que é um estudo, remete-nos á morte anunciada por fuzilamento de milhares de franceses que sucumbiram às mãos dos alemães durante o período do armistício. Contudo selecionei esta carta por ser a que me perturbou, ao imaginar o sentimento do seu autor e o apelo aos restantes camaradas para o prosseguimento da luta que era de todos.
Aproveito para deixar expresso o meu profundo reconhecimento, dor e o infindável agradecimento a todos eles que não conheci, mas que no fundo morreram pela justiça e pelo mundo no qual habito. Da minha parte vou continuar a dar prossecução aos seus objectivos e lembrar que as suas mortes não foram em vão. As lutas são em várias frentes, mas acredito que é possível sermos felizes e livres.
Obrigado
Aldino Peres
"A França" - Alves Redol (1948).
«(...) Gabriel Péri que o poeta Paul Éluard cantou e a França venera como um dos seus heróis, como um daqueles muitos que «morreram para que a França vivesse», na própria expressão da sua carta.
A carta dos fuzilados... Testemunho e testamento, último adeus e lição escrita com sangue para os homens que ficaram e não se quiseram submeter à tirania e à violência. (...).
(...)"Se morro jovem é porque amo a vida e porque queria que ela fosse bela, tornando-a bela para todos;(...). (...) Mais vale morrer jovem pelo seu país que morrer velho por doença, traindo a sua pátria. (...) Confirmo as palavras de Gabriel Péri: «Morro para preparar os amanhãs que cantam», e eu morro com a convicção de ter feito o meu dever de francês, de nunca ser contado entre os cobardes. Sei também que ficam bastantes camaradas para continuar a luta até à libertação. (...) Estou certo que o povo francês e todos os combatentes da liberdade saberão honrar a nossa memória com dignidade. (...) Nesse dia pensem um pouco em nós que morremos sem conhecer a libertação, ainda que a sentindo muito próxima e tendo trabalhado com todas as nossas forças. Estamos certos que alguns franceses injustamente assassinados, centenas, milhares de patriotas se erguerão para tomar o combate justo que deve ser a libertação de cada país e a felicidade de cada povo."(...).
E foram assim, dramáticas e heróicas na sua simplicidade, a maioria das cartas desses combatentes que defrontaram os pelotões e não quiseram vendas nos olhos, na sua maioria, para um último instante dizerem adeus à sua frança que tanto tinham amado e pela qual morriam.
(...) E em todos eles houve uma mesma esperança no futuro, a mesma fé nos outros que ficavam para continuar a batalha - a batalha que não terminou ainda e só será vitória quando todos os Eloi (crianças-nota do blogger) do mundo, quando todas as mães do mundo, olharem para o sol e para a natureza, como esse outro fuzilado, sem que nos seus corações haja a sombra duma injustiça; quando nos seus rostos se abrir um sorriso, um grande sorriso que o homem só poderá ter no dia em que a cada qual seja entregue a possibilidade de ter orgulho na condição humana.
(...) Aldeias inteiras destruídas por represálias. Populações dizimadas sem que o coração dos carrascos se fechasse ao ódio. Nem choros de crianças, nem súplicas de mães, nem gritos de noivas...
A consciência já não morava em peitos de homens. Eram soldados da morte que só se alimentavam de sangue. E tudo isto porque houve franceses que traíram. Tudo isto porque não escutaram as palavras dos que previam a hecatombe e eram até acusados de fautores de guerra.
(...)Tudo destruído como Lidice, a aldeia checoslovaca. E houve franceses que não compreenderam que a destruição de Lidice era já a destruição de Oradour e de Plomion... Lidice era já a destruição da alma humana. E muitos entenderam que não valia a pena baterem-se pela Checoslováquia, quando o homem no mundo é só um, em qualquer meridiano na terra. As crianças, as mulheres e os homens de qualquer nação sentem de igual maneira os mesmos crimes e as mesmas violências.
Nos primeiros dias da invasão quando os viram acarinhar as crianças, ajudar os velhos e sorrir para as mulheres, muitos pensaram que aquela guerra era diferente.
Depois os dias passaram; e como não tivessem entrado num país de escravos, fizeram as matanças colectivas - já não chegavam os muros dos fuzilamentos, nem as prisões, nem os campos de concentração.(...)»
A relação do conteúdo atrás descrito com as vivências dentro da empresa (CCFL-Carris de lisboa) e com as outras relacionadas com a nossa posição enquanto cidadãos portugueses, leva-me a exercer um direito de opinião que seguramente vai de encontro às aspirações de muitos portugueses que são coniventes, ou aos que são contra um novo sistema social repleto de eliminação de direitos que durante muitas décadas outros conseguiram defender ou criar.
A mensagem anteriormente publicada neste blogue, refere já esta angustia e sensação de impotência em lutar quando nos é sugerido que as mudanças a efectuar em âmbito social ou de trabalho são inevitáveis e irreversíveis.
É um erro crasso pensar-se que o é, quando a tentativa de globalizar o planeta em pressupostos económicos e financeiros lesam definitivamente tudo o que se lutou e se ambicionou por sociedades justas elevadas ao sentimentos das pessoas como identidade a preservar.
O momento é de uma guerra de utopias e ideologias, da qual somente existem dois caminhos. Ou vamos continuar a ser pessoas no seu conteúdo e valorizadas nos direitos do homem ou a grande parte dessas pessoas vão ser eternamente escravos das variações e vontades de quem detém um mercado ou sector produtivo e que tenta valorizar a globalização.
Os exemplos quer na CCFL ou outras empresas, quer no quotidiano da generalidade das pessoas enquanto cidadãos são inúmeros. A mais recente agressão que diz respeito a todos nós tem a haver com a posição do Governo português com a cumplicidade de alguns dos parceiros sociais e com o aval e orientação do FMI,BCE e Comunidade Europeia sobre o novo Código de Trabalho.
Não foi para este momento que acontece actualmente nas nossas vidas que os nossos antepassados e homens que ainda estão no activo na àrea do trabalho lutaram e lutam.
Ao esvaziarem o conteúdo do que constou no anterior Código de Trabalho e aproveitando a inércia propositadamente criada para não haver revindicação colectiva, leva-nos a uma morte anunciada e não sendo mais rápida enquanto existirem pessoas que lutam por si e no fundo por todos.
As partes do livro de Alves Redol já mencionado e que vou introduzir neste texto, tem o intuito de criar em nós o sentido da unificação dos esforços de todos para que consigamos ser felizes em todos os parâmetros da vida.
Embora o sentimento esteja relacionado com uma guerra mundial, pode ser perfeitamente adoptado como linha de pensamento daqueles que contestam o actual sistema social e não querem ser escravos. Contudo temos que estar cientes que se isoladamente lutarmos (quer nas empresas, quer enquanto cidadãos) será extremamente difícil conseguir os objectivos.
Quer sejamos do sector público, quer sejamos do sector privado e independentemente do sector ou área de produção a que possamos pertencer, nunca podemos esquecer que somos portugueses e que dos esforços de todos podemos contrariar a escalada ao abismo que nos está a ser direccionada.
Lembrem-se que nós morremos porque temos várias mortes, quer sejam físicas, psicológicas, de valores, de identidade, enfim a que pretenderem ou a que vos for direccionada.
A transcrição da parte do livro que é um estudo, remete-nos á morte anunciada por fuzilamento de milhares de franceses que sucumbiram às mãos dos alemães durante o período do armistício. Contudo selecionei esta carta por ser a que me perturbou, ao imaginar o sentimento do seu autor e o apelo aos restantes camaradas para o prosseguimento da luta que era de todos.
Aproveito para deixar expresso o meu profundo reconhecimento, dor e o infindável agradecimento a todos eles que não conheci, mas que no fundo morreram pela justiça e pelo mundo no qual habito. Da minha parte vou continuar a dar prossecução aos seus objectivos e lembrar que as suas mortes não foram em vão. As lutas são em várias frentes, mas acredito que é possível sermos felizes e livres.
Obrigado
Aldino Peres
"A França" - Alves Redol (1948).
«(...) Gabriel Péri que o poeta Paul Éluard cantou e a França venera como um dos seus heróis, como um daqueles muitos que «morreram para que a França vivesse», na própria expressão da sua carta.
A carta dos fuzilados... Testemunho e testamento, último adeus e lição escrita com sangue para os homens que ficaram e não se quiseram submeter à tirania e à violência. (...).
(...)"Se morro jovem é porque amo a vida e porque queria que ela fosse bela, tornando-a bela para todos;(...). (...) Mais vale morrer jovem pelo seu país que morrer velho por doença, traindo a sua pátria. (...) Confirmo as palavras de Gabriel Péri: «Morro para preparar os amanhãs que cantam», e eu morro com a convicção de ter feito o meu dever de francês, de nunca ser contado entre os cobardes. Sei também que ficam bastantes camaradas para continuar a luta até à libertação. (...) Estou certo que o povo francês e todos os combatentes da liberdade saberão honrar a nossa memória com dignidade. (...) Nesse dia pensem um pouco em nós que morremos sem conhecer a libertação, ainda que a sentindo muito próxima e tendo trabalhado com todas as nossas forças. Estamos certos que alguns franceses injustamente assassinados, centenas, milhares de patriotas se erguerão para tomar o combate justo que deve ser a libertação de cada país e a felicidade de cada povo."(...).
E foram assim, dramáticas e heróicas na sua simplicidade, a maioria das cartas desses combatentes que defrontaram os pelotões e não quiseram vendas nos olhos, na sua maioria, para um último instante dizerem adeus à sua frança que tanto tinham amado e pela qual morriam.
(...) E em todos eles houve uma mesma esperança no futuro, a mesma fé nos outros que ficavam para continuar a batalha - a batalha que não terminou ainda e só será vitória quando todos os Eloi (crianças-nota do blogger) do mundo, quando todas as mães do mundo, olharem para o sol e para a natureza, como esse outro fuzilado, sem que nos seus corações haja a sombra duma injustiça; quando nos seus rostos se abrir um sorriso, um grande sorriso que o homem só poderá ter no dia em que a cada qual seja entregue a possibilidade de ter orgulho na condição humana.
(...) Aldeias inteiras destruídas por represálias. Populações dizimadas sem que o coração dos carrascos se fechasse ao ódio. Nem choros de crianças, nem súplicas de mães, nem gritos de noivas...
A consciência já não morava em peitos de homens. Eram soldados da morte que só se alimentavam de sangue. E tudo isto porque houve franceses que traíram. Tudo isto porque não escutaram as palavras dos que previam a hecatombe e eram até acusados de fautores de guerra.
(...)Tudo destruído como Lidice, a aldeia checoslovaca. E houve franceses que não compreenderam que a destruição de Lidice era já a destruição de Oradour e de Plomion... Lidice era já a destruição da alma humana. E muitos entenderam que não valia a pena baterem-se pela Checoslováquia, quando o homem no mundo é só um, em qualquer meridiano na terra. As crianças, as mulheres e os homens de qualquer nação sentem de igual maneira os mesmos crimes e as mesmas violências.
Nos primeiros dias da invasão quando os viram acarinhar as crianças, ajudar os velhos e sorrir para as mulheres, muitos pensaram que aquela guerra era diferente.
Depois os dias passaram; e como não tivessem entrado num país de escravos, fizeram as matanças colectivas - já não chegavam os muros dos fuzilamentos, nem as prisões, nem os campos de concentração.(...)»
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